Bioinsumos impulsionam produtividade e sustentabilidade na agricultura

Pesquisador destaca como o uso de bioinsumos melhora a qualidade das plantas e reduz impactos ambientais

Progama Ganhando o Futuro
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O uso de bioinsumos na agricultura tem ganhado cada vez mais espaço como uma alternativa sustentável aos defensivos químicos. Esses produtos, extraídos da natureza, promovem o crescimento das plantas, aumentam a produtividade e reduzem o impacto ambiental. Segundo o pesquisador científico do Instituto Biológico, Dr. Luis Leite, os bioinsumos representam uma inovação essencial para o futuro do setor agrícola.

Bioinsumos são produtos derivados de organismos vivos, como microrganismos, metabólitos, extratos vegetais e subprodutos naturais. Eles têm múltiplas funções, como estimular o crescimento das plantas, protegê-las contra pragas e doenças e melhorar a qualidade do solo.

“São produtos inofensivos à saúde humana e ao meio ambiente, sendo seletivos a inimigos naturais e altamente favoráveis para uma agricultura sustentável”, explica Dr. Leite.

A busca por alternativas ecológicas tem sido uma tendência crescente na agricultura moderna. Com o aumento das preocupações ambientais e a demanda por alimentos mais saudáveis, os bioinsumos surgem como uma solução eficaz para reduzir o uso de defensivos químicos, promovendo uma produção mais equilibrada e responsável.

Embora o uso de bioinsumos pareça recente, as pesquisas sobre esses produtos começaram há décadas. Dr. Leite destaca que os primeiros registros no Brasil datam da década de 1970, quando um fungo foi introduzido para o controle de pragas na cultura da cana-de-açúcar. Já nos anos 1980, os bioinsumos eram utilizados principalmente para o controle de insetos. A partir da década de 1990, sua aplicação se expandiu para o controle de doenças, fertilização do solo e manejo de nematoides.

Nos últimos anos, a demanda por bioinsumos aumentou significativamente. Atualmente, há mais de 600 produtos registrados no Brasil, e esse número deve continuar crescendo.

“Com a pandemia, os agricultores perceberam a necessidade de diversificar suas fontes de insumos e viram nos bioinsumos uma oportunidade para aumentar a produtividade de forma sustentável”, afirma o pesquisador.

Além dos benefícios para a produtividade, os bioinsumos desempenham um papel importante na segurança alimentar. O uso excessivo de defensivos químicos pode deixar resíduos nos alimentos, afetando a saúde dos consumidores. Segundo Dr. Leite, a adoção dos bioinsumos reduz esse risco e garante produtos mais saudáveis.

“Eles diminuem a resistência de insetos aos produtos químicos, reduzem a incidência de doenças e minimizam o impacto ambiental”, explica.

Outro ponto positivo é a preservação da biodiversidade. Ao contrário dos defensivos químicos, que podem eliminar indiscriminadamente insetos e organismos benéficos, os bioinsumos são seletivos e ajudam a manter o equilíbrio ecológico. “Ao utilizar esses produtos, o agricultor contribui para um ambiente mais saudável e sustentável”, destaca o especialista.

Uma das principais dúvidas dos produtores é se os bioinsumos podem substituir completamente os defensivos químicos. Dr. Leite esclarece que a melhor abordagem é a coexistência entre as duas tecnologias.

“O ideal é que os agricultores utilizem estratégias diversificadas. Os bioinsumos podem ser aplicados em conjunto com defensivos químicos para otimizar os resultados e reduzir a dependência de agroquímicos”, afirma.

Essa combinação pode ser especialmente útil em casos de infestações severas de pragas ou doenças.

“Os produtos químicos ajudam a controlar rapidamente a população de insetos ou patógenos, enquanto os bioinsumos atuam no longo prazo, promovendo a saúde das plantas e do solo”, explica o pesquisador. A prática tem se mostrado eficaz, e muitos produtores já adotam essa estratégia para melhorar a eficiência do manejo agrícola.

O mercado de bioinsumos tem um potencial de crescimento expressivo no Brasil. Atualmente, a área tratada com esses produtos no país ultrapassa 30 milhões de hectares e pode chegar a 50 milhões nos próximos anos. No entanto, esse valor ainda representa apenas 5% da área total cultivada com insumos agrícolas.

Dr. Leite acredita que, até 2050, a demanda por bioinsumos ultrapassará a de defensivos químicos.

“A tendência global é a adoção crescente de soluções mais sustentáveis. O Brasil já se destaca nesse cenário e tem um enorme potencial para expandir o uso desses produtos”, afirma.

Para garantir esse crescimento, o pesquisador reforça a importância de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

“Ainda há muito a ser estudado sobre a compatibilidade entre bioinsumos e defensivos químicos. Quanto mais conhecimento tivermos, mais segura e eficiente será a transição para uma agricultura sustentável”, conclui.

O futuro da agricultura está cada vez mais ligado à sustentabilidade, e os bioinsumos desempenham um papel fundamental nessa transformação. Com benefícios que vão desde o aumento da produtividade até a redução do impacto ambiental, esses produtos representam uma alternativa viável e promissora para o setor agrícola brasileiro.

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