
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) tem se consolidado como uma estratégia eficaz para a redução de impactos ambientais e o aumento da produtividade agrícola. Em entrevista ao programa Ganhando Futuro, do Canal Rural, o pesquisador do Instituto Biológico, Luiz Leite, destacou a importância do MIP e suas principais técnicas para o controle sustentável de pragas.
De acordo com Leite, o MIP é um conjunto de práticas que visam manter a população de insetos e doenças agrícolas em níveis que não causem danos econômicos.
“O objetivo principal do MIP é reduzir riscos, resistência de insetos e doenças aos produtos químicos, minimizar os resíduos nos alimentos e diminuir impactos ambientais, preservando os inimigos naturais e promovendo uma agricultura mais sustentável”, explicou o pesquisador.
Diversidade de Técnicas no MIP
Diferente da ideia equivocada de que o MIP se resume apenas à mistura de defensivos químicos com bioinsumos, Leite ressaltou que a estratégia envolve diversas técnicas, distribuídas em seis pilares principais:
- Controle cultural: Alteração de espaçamentos entre plantas para dificultar o desenvolvimento de pragas e doenças.
- Controle comportamental: Uso de armadilhas para atração e captura de insetos.
- Controle varietal: Desenvolvimento e utilização de variedades mais resistentes a pragas.
- Controle genético: Melhoramento genético de plantas para torná-las mais tolerantes.
- Controle químico: Uso consciente e rotacionado de defensivos agrícolas.
- Controle biológico: Utilização de inimigos naturais para combater as pragas.
“O controle biológico, hoje, tem ganhado cada vez mais destaque como uma das principais ferramentas dentro do MIP”, afirmou Leite, destacando que a combinação dessas estratégias permite um controle eficiente e sustentável das pragas.
Adaptação do MIP às Diferentes Culturas
O pesquisador ressaltou que o MIP pode ser aplicado a diversas culturas, mas algumas apresentam um nível de desenvolvimento mais avançado do que outras.
“Na soja e no milho, o manejo integrado de pragas já está bastante consolidado, mas novas pragas e doenças exigem constantes adaptações”, explicou.
Para pequenos e médios agricultores, a implementação do MIP tende a ser mais simples, já que a necessidade de monitoramento é mais viável em áreas menores.
“O grande desafio para os produtores de larga escala é a dificuldade de monitoramento em extensas áreas cultivadas”, acrescentou Leite.
Rotação de Produtos e Saúde do Solo
Além das técnicas mencionadas, o pesquisador reforçou a necessidade de rotacionar moléculas ativas de defensivos químicos para evitar o surgimento de pragas resistentes.
“O uso contínuo do mesmo ingrediente ativo pode tornar os insetos e doenças resistentes, reduzindo a eficácia dos produtos”, alertou.
Outro fator essencial no MIP é a preservação do solo. Segundo Leite, práticas como rotação de culturas, plantio direto e o uso de bioinsumos contribuem significativamente para a manutenção da saúde do solo.
“O solo não é apenas uma base para as plantas, ele é um bioma repleto de vida, e seu equilíbrio é fundamental para a produtividade agrícola”, destacou.
Pesquisa e Inovação no Instituto Biológico
Ao final da entrevista, Leite convidou os interessados a conhecerem o trabalho do Instituto Biológico em Campinas, onde são desenvolvidas pesquisas voltadas para bioinsumos e manejo sustentável. “Estamos à disposição para colaborar com o desenvolvimento da agricultura por meio de pesquisas e serviços especializados”, concluiu.
O programa Ganhando o Futuro é exibido no Canal Rural de segunda a quinta-feira, às 8h30 e às 17h. Já às sextas-feiras, o programa vai ao ar às 8h30 e às 18h15. Todos os progrmas estão disponíveis no Youtube.